21/03/2017

Intervenção urbana & os recados nas cidades

Cidades menos acinzentadas e ruas presenteadas com vida. Arranhas-céus e paredes ganham ilustrações coloridas, gigantes e repletas de histórias. Com andaimes e balancins elétricos, o muralista Eduardo Kobra mostra a sua arte ao mundo e questiona comportamentos.

A carreira do artista paulista que iniciou como pichador, nos anos 90, passou por algumas transformações até
se tornar muralista. Mas, para Kobra, o título não significa evolução. A pichação, o grafite e o muralismo são distintos. Segundo ele, o único ponto em comum está na intervenção urbana das cidades.

“A pichação vem da caligrafia e o grafite tem a ver com o desenho. Comecei a desenhar nos muros porque fazia isso nos cadernos e percebi que era possível fazer o mesmo nas ruas. Os dois eram feitos de forma ilegal e, com o passar do tempo, cheguei a ser detido”, conta Kobra sobre o início da carreira. “Em um determinado momento comecei a desenvolver outro tipo de desenho com luz, sombra e perspectiva. Eram complexos e que não poderiam ser feitos de forma ilegal. Precisei pedir
autorização e, a partir disso, me tornei muralista”, lembra o artista que completou 41 anos neste ano.

A beleza estética está sempre presente nos seus trabalhos, que têm as paredes como canais de comunicação e suportes para passar mensagens à sociedade. E, por essa razão, Kobra não se submete mais a alguma imposição de tema, dedica-se apenas a aquilo que acredita.

“Já aconteceu de patrocinadores pagarem. Porém, de uns anos para cá, consegui autonomia para fazer somente aquilo que quero. As pessoas até podem me convidar para pintar um prédio, mas tenho liberdade. Hoje, a minha prioridade é manter os temas que eu mesmo desenvolvi”, fala.

O investimento para dar andamento aos projetos é proveniente das vendas de obras em galerias. Antes da produção nas ruas, tudo é idealizado em telas que servem como experiências para testes de cor.

A Arquitetura e as obras de Eduardo Kobra

Como um grande admirador do urbano, Kobra defende a preservação da arquitetura e acredita que os murais precisam estar em harmonia e em diálogo com as construções, ruas e cidades. No projeto “Muro das Memórias”, espalhado em diversas regiões da capital paulista, são retratadas cenas do século 20 com o objetivo de mostrar as transformações da paisagem de São Paulo.

“Tudo o que faço tem um estudo prévio. Para pintar um prédio, vou até o local, fotografo, pesquiso e, depois disso, começo. Muitas vezes quero criar um contraste ou harmonizar com a arquitetura. O que não quero é que se sobreponha ou ataque-a”,
opina o muralista.

Projeto Envolva-se

Em todas as partes do Brasil há alguém interessado em conhecer a técnica de Eduardo Kobra. Por isso, nasceu o projeto “Envolva-se”. Não só para artistas, a ideia é aberta para quem deseja saber mais sobre Street Art. Para participar, o público deve se cadastrar no site ou nas redes sociais do projeto. Quando Kobra e sua equipe estiverem na cidade, o inscrito receberá um convite para se envolver com a produção do mural.

Facebook: facebook.com/kobrastreetart

Instagram: @kobrastreetart

Site: www.eduardokobra.com

Nova Iorque receberá 28 murais produzidos pelo artista

Em 2017, o muralista passará uma temporada na Big Apple, nos Estados Unidos. As ruas de Nova Iorque serão o palco de uma grande exposição dos trabalhos de Kobra. Segundo ele, os pontos e as artes ainda serão definidos.

“Ao invés da exposição ocorrer em uma galeria será nas ruas. Faremos um guia onde as pessoas serão convidadas a percorrer os espaços”, comemora.



  • COMPARTILHE